
Oi, minha gente! Sabe aquela conversa que a gente evita a todo custo, mas que aparece direto nas minhas mensagens? Pois é, ouvir relatos de mulheres dizendo "nunca tive orgasmo" é muito mais comum do que a gente imagina, e não tem absolutamente nada de errado em querer entender o que tá por trás.
Se você já se sentiu a única pessoa do mundo passando por isso, respira fundo, porque você definitivamente não está sozinha. Bora entender como o corpo feminino realmente funciona, o que pode estar acontecendo aí dentro e como transformar essa experiência.
Pensa comigo: se a gente não conhece o caminho, fica bem difícil chegar ao destino, né? Uma pesquisa recente mostrou que cerca de um terço das mulheres brasileiras relata dificuldade para chegar ao orgasmo. Na sexologia, chamamos isso de anorgasmia, que pode ser primária (quando a pessoa nunca gozou na vida) ou secundária (quando ela já teve orgasmos antes, mas parou de conseguir).
Muitas vezes, a gente acha que o problema está na nossa vontade, mas a ciência explica que o desejo feminino costuma ser o que chamamos de "desejo responsivo". Isso significa que, na maioria das vezes, a vontade não surge do nada, como um raio. O corpo precisa começar a receber estímulos, carinhos e toques para que o cérebro entenda o contexto e, só então, "ligue" a vontade de transar. Ficar esperando o desejo espontâneo aparecer para só depois buscar o orgasmo é uma armadilha comum que acaba frustrando muita gente.
Vamos combinar uma coisa? A penetração é uma parte da relação que é indispensável pra muita gente, mas ela raramente é a protagonista do orgasmo feminino. A ciência já cansou de comprovar que a grande maioria das mulheres (cerca de 70% a 80%) precisa de estimulação direta no clitóris para conseguir chegar lá.
E aqui entra uma parte fascinante da nossa anatomia: o clitóris é como se fosse um iceberg. Aquela bolinha externa é só a pontinha de um órgão enorme. Por dentro, ele tem bulbos e raízes que abraçam o canal vaginal. Quando ficamos excitadas, ocorre um processo chamado vasocongestão. Toda essa estrutura interna se enche de sangue e incha, exatamente como acontece em uma ereção.
E sabe o que é o orgasmo fisicamente falando? É a liberação de toda essa tensão acumulada através de contrações rítmicas e involuntárias dos músculos do nosso assoalho pélvico (aquela rede de músculos que sustenta os nossos órgãos internos). Se a gente não estimula o clitóris do jeito certo, o sangue não se acumula o suficiente para disparar esse reflexo.
Além da mecânica do corpo, existe uma verdadeira dança de hormônios acontecendo no nosso cérebro. Durante a excitação, o corpo libera neurotransmissores maravilhosos, como a dopamina (que dá a sensação de recompensa) e a ocitocina (o hormônio da conexão).
Mas tem um vilão nessa história: o cortisol, o hormônio do estresse. Sabe quando você vai para a cama pensando nos boletos, no trabalho ou com a própria cobrança de "chegar lá hoje"? O cérebro entende isso como uma ameaça. Ele ativa o nosso sistema nervoso de alerta e libera cortisol. O problema é que o cortisol age como um freio de mão puxado para o orgasmo. Fisiologicamente, é impossível o cérebro liberar o clímax se ele acha que você está em perigo ou sob pressão. Para o corpo ter um orgasmo, o sistema nervoso precisa se sentir seguro e relaxado.
O primeiro passo é a masturbação. Tocar o próprio corpo é a forma mais segura e gostosa de descobrir o que funciona para você, qual é o ritmo que você gosta e onde o toque arrepia mais.
E como a gente sabe que um empurrãozinho faz toda a diferença, usar os acessórios certos pode transformar completamente essa descoberta. Se você não sabe por onde começar, olha só algumas opções que costumam ajudar muito quem está buscando esse caminho:
Se perceber que a dificuldade continua mesmo com a exploração e que isso está te gerando sofrimento, vale muito a pena conversar com um ginecologista ou buscar a ajuda de um psicólogo.
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O prazer é uma descoberta diária e muito particular. Cada pessoa tem o seu tempo, o seu ritmo e as suas preferências. O mais importante é você se permitir conhecer o próprio corpo, testar o que te faz bem e lembrar que o sexo e a intimidade devem ser momentos de alegria, e não de preocupação. Se conheça, se toque e aproveite o caminho.
Um beijo e até a próxima conversa,
Bianca Mel.